A importância das habilidades socioemocionais

Um relatório recente do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês) indicou que os alunos brasileiros estão entre os mais ansiosos do mundo – superando até países onde a cobrança por desempenho é grande, como Coreia e Hong Kong. De acordo com a pesquisa, no Brasil, 80% dos jovens de 15 anos ficam preocupados mesmo quando estão preparados para prova – a média mundial é de 55,5%. Essa dificuldade de lidar com as emoções acompanha os indivíduos até a vida adulta, e o resultado é que atualmente 9 em cada 10 profissionais são contratados pela capacitação técnica, mas demitidos por questões comportamentais.

 

Como mudar esse quadro?

Resposta: Desenvolvendo as competências socioemocionais dos alunos, conforme consta na Base Nacional Comum Curricular, que começa a valer a partir de 2020. Não na teoria, mas na prática, vivenciando de fato as situações por meio de dinâmicas que propiciem o diálogo empático, a escuta ativa, a consciência crítica, o empoderamento – em suma, o fortalecimento saudável da autonomia dos estudantes.

No Brasil a proposta de associar o estímulo ao desenvolvimento de habilidades socioemocionais ao currículo escolar ainda é novidade. Mas países que fizeram essa transição, como Canadá e Estados Unidos, já colhem os frutos da mudança: estudantes mais bem preparados emocionalmente para lidar com desafios – inclusive acadêmicos. Em outras palavras, melhora do aproveitamento escolar, com aumento substancial de notas nas avaliações.

De acordo com o Relatório “Habilidades socioemocionais – questões conceituais e práticas”, da Global Education Leaders’ Program Brasil, as competências socioemocionais têm impactos positivos:

Na aprendizagem: Geram ambiente mais favorável à aprendizagem e melhores resultados dos alunos nas disciplinas curriculares tradicionais.

No desenvolvimento integral: Preparam os estudantes para estar no mundo, compreender os diferentes, ser críticos e atuantes e tomar decisões pautadas na ética. Ajudam-nos a construir seu projeto de vida e a se capacitar para o mundo do trabalho.

Na promoção de equidade: Dialogam com as necessidades da sociedade civil, mobilizam famílias e contemplam seus anseios, suprem carências de oportunidades e geram impacto nos indicadores sociais.

Na mudança cultural: Transformam o currículo e a escola, estimulam a atitude cidadã, contribuem para o desenvolvimento de uma cultura de paz.

Estamos produzindo uma série de textos no blog sobre a Base Nacional Comum Curricular, e este é o segundo da série. Fique de olho para saber tudo sobre a BNCC!

Leia “O que é a Base Nacional Comum Curricular?” em  https://institutoinfantojuvenil.com.br/o-que-e-a-base-nacional-comum-curricular/

 

Fontes:

Relatório Global Education Leaders’ Program Brasil “Habilidades socioemocionais – questões conceituais e práticas”. Disponível em: http://fundacaotelefonica.org.br/wp-content/uploads/pdfs/GELP/HABILIDADES-SOCIOEMOCIONAIS-QUEST%C3%95ES-CONCEITUAIS-E-PR%C3%81TICAS.pdf

“Estudantes brasileiros estão entre os mais ansiosos do mundo”. Disponível em: https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/estudantes-brasileiros-estao-entre-os-mais-ansiosos-do-mundo-21225685

“9 em cada 10 profissionais são contratados pelo perfil técnico e demitidos pelo comportamental”. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/2018/09/18/9-em-cada-10-profissionais-sao-contratados-pelo-perfil-tecnico-e-demitidos-pelo-comportamental.ghtml

 

                      

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